Escritores engajados - Artigo sobre os escritores engajados: Hemingway, George Orwell, Saint-Exupéry, André Malraux, Sartre, Camus... < Artigos < Duplipensar.net
 

 



Antonio Carlos Lopes - Publicado em 06.11.2006




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“A guerra é má. É o pior de todos os males, o flagelo monstruoso, a calamidade incomparável. Unamos nossas forças no combate com que a haveremos de destruir, mais cedo ou mais tarde. Confiemos na beleza da causa e sejamos serenos, atacando sem ilusões, mas também sem desânimo, o uso calamitoso.” Barbosa Lima Sobrinho

Escritores nos conflitos mundiais, o engajamento, o campo de batalha, as trincheiras, o front, a força das palavras à causa da liberdade. Testemunhos dos horrores da guerra, através de relatos da trágica condição humana, que serviram de material para a literatura e o jornalismo.

Alguns escritores se engajaram como correspondentes de guerra, função que “alimentou” à imprensa escrita. As impressões dos escritores foram fontes criadoras na construção das narrativas de importantes obras, imortalizadas nos anais da literatura.

O escritor argentino Ernesto Sabato, em seu livro O Escritor e seus Fantasmas, diz: “Para o bem e para o mal, o verdadeiro escritor escreve sobre a realidade que sofreu e de que se alimentou...”

Algumas das guerras ocorridas no Século XX, com alguns dos escritores e suas obras relevantes no período histórico:

Primeira Guerra Mundial
Fonte inspiradora nas obras: Adeus às Armas, de Hemingway; Sem Novidade no Front, de Erich Maria Remarque.

Hemingway alistara-se na Cruz Vermelha, fora recomendado a medalha de valor italiana, por um ato de bravura, quando carregou no ombro um homem ferido, sob fogo cruzado, o que resultou numa rajada de metralhadora em sua perna esquerda, caiu, levantou-se, com o ferido no ombro, percorreu ainda cem metros até perder os sentidos, e ser recolhido pelos padioleiros.

Guerra Civil Espanhola
George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Balir) escreveu, Lutando na Espanha, obra baseada em experiências pessoais na Guerra Civil Espanhola, o início da batalha contra o Fascismo que se prolongou na década de 1940, importante registro das misérias, frustrações e horrores, através do olhar numa perspectiva humanista, expôs a desumanidade do conflito.

Ernest Hemingway (Prêmio Nobel de Literatura em 1954) escreveu, Por Quem os Sinos Dobram, romance publicado no final de 1940, um clássico entre os livros de ficção ou não, que tiveram a guerra civil espanhola como tema.

Antoine de Saint-Exupéry, romancista, filósofo, humanista, aviador apaixonado por sua profissão, Saint-Exupéry desapareceu misteriosamente no mar da Córsega, durante o vôo de reconhecimento, a 29 de junho de 1944, dia em que completava 44 anos de idade, autor de O Pequeno Príncipe e outras obras literárias. Sobre a guerra civil espanhola, escreveu Um Sentido para a Vida, são reportagens sobre viagens à Rússia e à Espanha, os textos, revelam um lado desconhecido de Saint-Exupéry, como ficcionista, repórter, editorialista e prefaciador.

André Malraux (Autor de A Condição Humana, Prêmio Goncourt em 1933) a contribuição de Malraux na Espanha, foi como chefe de uma esquadrilha, a favor dos republicanos espanhóis, participou de algumas operações, uma delas a de Medelin, que garantiu a defesa de Madri. Os relatos desta experiência estão em l’Espoir, um romance adaptado para o cinema. Malraux, dizia, “ é o poema da fraternidade, é onde se vê que a aventura individual só tem sentido na ação coletiva:... Os homens, unidos ao mesmo tempo pela esperança e pela ação, como homens unidos pelo amor, ascendem a esferas que não alcançaram sozinhos, o conjunto dessa esquadrilha é mais nobre que quase todos que a compõem.”

Segunda Guerra Mundial
Antoine de Saint-Exupéry. escreveu Vôo Noturno e Piloto de Guerra, este dedicado a seus companheiros da esquadrilha 2/33, que combateu durante os dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial.

Jean-Paul Sartre (Prêmio Nobel de Literatura em 1964, recusou o prêmio) escreveu Diário de uma Guerra Estranha, na forma de Diário no período de novembro de 1939 a março de 1940, quando exercia à função de meteorologista pelo exército francês. A obra foi publicada três anos depois de sua morte, a experiência no front, exerceria uma mudança em Sartre, o que viria nos anos posteriores ser suas concepções filosóficas sobre o existencialismo, base de sua filosofia no contexto da obra: Literatura, Jornalismo, Teatro e o seu engajamento nas causas da liberdade. Em 1943. Sartre encenou sua primeira peça As Moscas (uma lenda grega), cujo simbolismo da peça, à França ocupada pelos nazistas.

Albert Camus (Prêmio Nobel de Literatura em 1957), escritor, jornalista, filósofo, Argelino-Francês, membro da resistência francesa, durante a Segunda Guerra Mundial, quando da ocupação Nazista na França.

Camus foi chamado “a consciência de sua geração”, escreveu A Peste, romance publicado em 1946, esta obra tem um sentido simbólico, o totalitarismo e suas formas de flagelo humano, num contexto de opressão social.

Camus, Dizia: “Existe um tempo para viver e um tempo para testemunhar a vivência”

A citação de Camus, revela-nos a essência do engajamento desses escritores e intelectuais, suas vivências, legaram para a história da humanidade, um registro valioso, através das obras, resultados de atitudes engajadas, exercidas no momento histórico.

Leia também:
O prefácio foi na Espanha - Mauro Luiz Barbosa Marques
Viva la Muerte! Os integralistas na Guerra Civil Espanhola - Marcus Ferreira

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Livros relacionados com o artigo - Escritores engajados
• O Escritor e Seus Fantasmas - ERNESTO SABATO
• Adeus às Armas - ERNEST HEMINGWAY
• Lutando na Espanha - GEORGE ORWELL
• A Condição Humana - ANDRE MALRAUX
• Um Sentido para a Vida - ANTOINE DE SAINT-EXUPERY
• A Vida Secreta de - Antoine de Saint-Exupéry RENNEE ZELLER
• A Peste - ALBERT CAMUS
• Diário de uma Guerra Estranha - JEAN-PAUL SARTRE
• Por Quem os Sinos Dobram - ERNEST HEMINGWAY

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