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Francisco Augusto Cruz de Araújo - Publicado em 03.07.2007




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Quem nunca se imaginou num daqueles filmes de ficção ou programas de televisão onde existem câmeras e microfones por todos os lados? Receio de ser ouvido na rápida conversa com o amigo dentro do elevador, ser visto cometendo alguma infração ou com comportamentos que contrariem a moral social? Há vinte anos, imaginávamos que essa realidade só seria possível nos filmes, novelas e livros. Mas hoje, somos submetidos a um intenso sistema de vigilância e controle e nem mesmo sabemos quem nos vigia. Tal obsessão é muito clara no filme "Invasão de Privacidade", onde vemos que esse "olhar de poder" faz parte do nosso cotidiano, embora, não signifique sempre segurança para nós.

George Orwell, escritor britânico, escreveu a obra 1984, prevendo o projeto de uma sociedade controlada por sistemas inteligentes. O Estado, chamado popularmente de Grande Irmão (Big Brother), regia o comportamento social por meio da manipulação de informações e da coação por teletelas, microfones escondidos em todos os ambientes (fossem públicos ou privados) e pela Polícia do Pensamento. Na história, as pessoas eram proibidas de pensar, falar demais, escrever e até mesmo amar sem que o Grande Irmão mediasse tais atos. Notem o avanço. Um sistema capaz de saber o pensamento do sujeito.

Em 1984, Orwell questiona até que ponto permitimos o controle e a transformação da nossa realidade por um Estado totalitário disfarçado de democracia, no qual as pessoas adaptam seus costumes ao intenso Controle Social do Grande Irmão.

A eterna busca por vigilância e controle social sempre foram marcas características de um Estado. Há uma frase do pensador americano Thomas Jefferson (1743-1826), que diz: "o preço da liberdade é a eterna vigilância". Pensando essa idéia, Giddens, sociólogo inglês, reflete que por necessitar de controle da situação, o Estado teve que desenvolver certas condições de vigilância que fossem capazes de garantir a concentração administrativa que tanto caracteriza os estados modernos. Vigiar é então, um meio de se estabelecer a ordem social.

Vigiar deixou de ser um papel só do Estado e se tornou também preocupação ao cidadão comum. Não é tão difícil se obter câmeras e microfones que podem facilmente ser escondidos, enfeites de casa com câmeras embutidas e aparelhos de grampos telefônicos para escuta com utilidades diversas a uma simples família. Casos de violência e abusos a crianças, idoso e corrupção são facilmente desbaratados com a ajuda de sistemas de vigilância secreta.

Mais intrigante ainda, é pensar que mesmo com intensa vigilância, a sociedade sempre encontrou maneiras de passar despercebida aos olhos que tanto nos acompanham. Um caso recente e muito interessante é o que vem ocorrendo com os políticos brasileiros, que se dizem as maiores vítimas da vigilância do Estado. O Guardião da PF – sistema em que se fazem as interceptações telefônicas dos crimes à nação, como corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, dentre outros, tem se mostrado muito atuante no que diz respeito à "vigilância oculta e silenciosa".

As tecnologias evoluem de forma dinâmica e constante, correspondendo às necessidades das pessoas, e dentre elas, também estão os interesses criminosos e privados de alguns políticos brasileiros. Enquanto no passado cada político possuía cerca de dois ou três telefones celulares, sem contar as linhas fixas do seu gabinete, hoje eles abriram mão das linhas telefônicas e aderiram às novas tecnologias que ainda não podem ser controladas. MSN, SMS, Skype (VoIP), FAX, E-mails criptografados e muita liberdade.

Vigiar e controlar seriam então a melhor maneira de prevenir problemas sociais como o crime organizado, narcotráfico e exploração sexual? Ou a privacidade do sujeito não deveria ser violada justificada pelos princípios democráticos de liberdade?

Não podemos até o momento responder seguramente tantos questionamentos, mas algo já é possível de se avaliar. A sociedade de modo geral está entregue a certo modelo de vigilância, seja nos locais públicos e privados, tendo que enfrentar o olhar discreto e frio das câmeras e desta forma constrói certo código de conduta diante delas. Em contrapartida, nossos políticos se preocupam em encontrar as falhas no sistema, o local onde há o descontrole, onde não sejam captados ou percebidos. No futuro conheceremos melhor os danos e os benefícios causados à nossa democracia. Enquanto isso devemos nos acostumar com a velha expressão: "Sorria, você está sendo filmado".

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