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2004 ou 1984? Estamos em 1984 2004 ou 1984? Estamos em 1984 2004 ou 1984? Estamos em 1984 2004 ou 1984? Estamos em 1984 2004 ou 1984? Estamos em 1984 2004 ou 1984? Estamos em 1984 2004 ou 1984? Estamos em 1984  

Lázaro Curvêlo Chaves - Publicado em 15.10.2004




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Eric Arthur Blair (George Orwell) era um visionário! A realidade política internacional 2004 supera a imaginação que engendrou o famoso 1984. Inimigos se tornam aliados, aliados se tornam inimigos, a propaganda impera soberana sobre a realidade...

Afeganistão
“O Afeganistava” – José Simão

A ex-URSS, ao perceber o avanço da Revolução Islâmica no Irã, imediatamente invadiu o Afeganistão que, por sua vez, iniciou um movimento portentoso de resistência ao invasor. Osama Bin Laden e sua Al Qaeda receberam treinamento, ajuda militar e econômica dos EUA para a guerra de resistência aos comunistas. No Afeganistão os EUA incentivaram o desenvolvimento dos campos de ópio para amealhar recursos a que a resistência afegã derrotasse os russos. Em crises internas e rechaçados pelo adversário poderoso, os russos bateram em retirada abrindo caminho para a implantação da Revolução Islâmica capitaneada pelos talebans.

Quando os EUA passam a pressionar pela implantação de um regime diferente do tradicional naquelas terras infensas ao encaminhamento dito “democrático”, os Talebans, treinados pelos EUA, passam a atacá-lo em vários pontos suscitando a ira do Império. Ao invés de adotar medidas pedagógicas e um auxílio econômico significativo ao povo pobre daquela Nação soberana, decidiram-se por utilizar uma gama ainda maior de recursos financeiros (oriundos de países endividados como o Brasil, por exemplo) num massacre bárbaro daquela gente.

Curioso que todos percebam a crueldade de um ataque que transforma aviões em bólidos de guerra, mas a propaganda, mais uma vez, omite a enorme quantidade de escolas, creches, maternidades e hospitais (inclusive da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho) bombardeados naquele ataque. Para o WTC, cenas lamurientas ad nauseam. Para as escolas, creches, maternidades e hospitais do Afeganistão, nem mesmo notas de pé de página...

Iraque

“Bombing people into democracy” – George W. Bush

Os Estados Unidos, outrora aliados do Iraque contra a República Islâmica do Irã transformou-se em seu mais cruento adversário. A Guerra que Bush (o pequeno) declarou contra aquela pequena Nação do Oriente Médio sob a alegação de que estava construindo armas de destruição em massa e que proclamou finda e vitoriosa não tinha as tais armas e o conflito não parece dar mostras de acabar tão cedo.

O argumento de “levar a civilização e a democracia” a um país governado ditatorialmente cai por terra diante das cenas de tortura na prisão de Abu Ghraib, amplamente divulgadas. A propaganda da “moral superior” dos estadunidenses não subsiste ao que ali se passou. O tratamento dado a um chefe de Estado – ditador cruel e sanguinário, inquestionavelmente – ex-aliado, ultrapassa as raias do absurdo.

Se Saddam Hussein deve ser julgado por “crimes contra a humanidade”, o que sobra para Bush?

Política Brasileira

“Guerra é Paz
Liberdade é Escravidão
Ignorância é Força”

George Orwell

Muitas coisas no encaminhamento político do governo Lula lembram os procedimentos da ditadura militar. A tentativa de governar acima ou sem o Parlamento, de controlar o Judiciário, de censurar a Imprensa e a produção cultural são alguns exemplos.

Acompanhar o noticiário está cada vez mais complicado. Registro a independência pelo menos dos jornais Opinião Socialista e, em menor medida, da Folha de S. Paulo. Garimpando com cuidado encontram-se alguns bons artigos de análise profunda e crítica aqui e ali, mas isso é inacessível à maioria da população brasileira, relegada ao assistencialismo mais chulo e ineficiente. A estes o acesso se dá principalmente pela televisão.

A Rede Globo de Telealienação é a mais gritantemente áulica, sempre governista – seja lá qual for o governo – e tudo faz para obnubilar, dificultar ou mesmo impedir a compreensão da realidade social, política e econômica brasileira. Numa cobertura absolutamente excêntrica, edita as notícias de maneira a parecer que tudo vai bem no melhor dos mundos, não importa o que esteja acontecendo.

A programação daquela emissora, que trata o telespectador como se fosse deficiente mental, dando-lhe tudo pronto e mastigado, para sentir sem refletir, enquanto o embala com temas suaves e músicas melosas deixando-o receptivo à enorme quantidade de lixo que vendem como informação ou cultura.

A Voz do Brasil ainda consegue se distanciar um tiquinho menos da realidade social brasileira do que a Rede Globo de Telealienação.

Vejamos alguns exemplos.

Sobre o presidente do Banco Central, o operador da bolsa de valores e agente do Banco de Boston Henrique Meirelles, pesam graves acusações de remessa ilícita de recursos ao exterior, de fraude eleitoral e sonegação de impostos. Acusações tão graves que Lula, para livrá-lo das primeiras instâncias da justiça e contar com o STF, mais cordato para com o governo, promoveu-o a ministro. Enquanto isso, o noticiário da Globo trazia desinformações como “a economia atinge a retomada do crescimento” e “Lula vibra com o filme ‘Pelé Eterno’”.

Sabemos todos que a política econômica brasileira, desde Collor de Mello, passando por FHC e chegando a Lula é a de desviar recursos da produção e do trabalho para a especulação financeira. Collor foi mais brutal e direto: seqüestrou depósitos a vista e poupança para diminuir a quantidade de moeda em circulação e assim tentar conter a inflação. FHC e Lula vêm num crescente avanço contra o poder aquisitivo das pessoas que, hoje, estão pelos cálculos do insuspeito DIEESE, 20% mais pobres do que estavam há 10 anos. Ora, uma mísera “bolha de crescimento” foi considerada danosa aos planos concentracionistas da equipeconômica, inclusive porque estavam apontando na direção de uma imperceptível retomada no poder aquisitivo, o que contraria a política econômica do governo. Como resultado, o grupo terrorista conhecido como COPOM decidiu-se por aumentar ainda mais a taxa de juros para aumentar a especulação, enriquecer ainda mais os banqueiros e conter o mísero crescimento que se esboçava. Na Globo o noticiário reitera: “Brasil retoma crescimento sustentado!”, “Cresce o número de contratações no comércio!” – e não é difícil montar a cena de um ou outro pobre coitado que conseguiu um empreguinho miserável para testemunhar de sua alegria com a retomada no nível de contratações e assim se desvia a atenção da população para o fato de que, com a atual política econômica não há como o Brasil crescer ou reduzir minimamente os índices de desemprego.

A queda vertiginosa nos níveis de emprego e de crescimento industrial chegou a tão escandaloso patamar que qualquer lojinha de fundo de quintal que se estabeleça (apesar, e não por causa da política econômica!) é celebrada como um sucesso extraordinário pela Rede Globo e as “boas notícias” na economia embalam uma popularidade incompreensível a um presidente que traiu não só ao seu eleitorado como à sua própria biografia!

Os anúncios retumbantes de “retomada do crescimento”, “queda no desemprego” e “aumento de vendas no comércio” aparecem muito bem na TV mas não encontram sustentação na realidade! Quem não está desempregado está mais pobre, endividado, reduzindo seu padrão de vida e, nas ruas entre lojas comerciais vêem-se poucos transeuntes. Raros comprando e todos com o sobrecenho carregado.

Em síntese, há uma discrepância pavorosa entre o Brasil Real e o Brasil Virtual que vemos na Rede Globo de Telealienação e órgãos quejandos.

Leia o Especial George Orwell.


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