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George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo George Orwell e o livro 1984 A distopia de Orwell ou a utopia do pesadelo  



Fernanda Müller - Publicado em 09.03.2006




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1984? Pouco provável, visto que o tempo naquele momento não existe mais. Se o calendário é uma criação da sociedade a partir da observação das transformações do sol e da lua que regem o clima, o dia e a noite, sua marcação deixa de ser observável, ou melhor, passa a ser assinalada pelo Estado. Presente, passado e futuro já não são tempos verbais conjugáveis individualmente, mas patrimônio de um governo totalitário que decide o que se é, o que se foi e quando se deve deixar de ser. A impossibilidade de acompanhar a simples contagem da passagem dos dias, do fluir natural do tempo, passa a ser uma constante na vida das pessoas, representando o poder do Estado perante o indivíduo:

“Encostou-se ao espaldar. Descera sobre ele uma sensação de completo desespero. Para começar, não sabia com a menor certeza se o ano era mesmo 1984. Devia ser mais ou menos isso, pois estava convencido de que tinha trinta e nove anos, e acreditava ter nascido em 1944 ou 45; hoje em dia, porém, não era nunca possível fixar uma data num ou dois anos.” (ORWELL, 1975, p. 12)

Norteado pelo princípio da perda de tudo que é subjetivo e individual, tal qual idade e identidade, e a conseqüente perda do próprio caráter humano, George Orwell compõe sua mais importante obra. O autor joga uma pá de cal sobre utopias harmônicas como as de Platão, More ou Bacon, e mesmo sobre a distopia da ciência de Huxley. Resultado de uma vida intensa na qual as convicções pessoais foram gradativamente desmentidas e despedaçadas pela experiência, esta obra revela um homem que fora soldado e guerrilheiro, professor, jornalista e mendigo. Um filho de burgueses que resolve ser operário para lutar pela mesma causa que, ao final da vida, repudiaria, tomando consciência de seu vazio, descrente e doente. Sua obra 1984 é um reflexo do ceticismo que se integra à sua trajetória quando, já refém da doença que o mataria e após presenciar as atrocidades das duas Grandes Guerras Mundiais, denuncia a eminência de um mundo totalitário em que o controle das pessoas se dá através da tecnologia.

Em 1984 não há equilíbrio, apenas controle e dominação. As pessoas não vivem nem mais nem melhor, são subjugadas e oprimidas. O lugar onde o romance é ambientado não é uma ilha distante ou um mundo ensolarado, como nas utopias escritas até fins do século XIX, mas uma Londres que deixa o protagonista desconcertado a ponto de questionar se

“Haviam existido sempre aquelas apodrecidas casas do século dezenove, os flancos reforçados com espeques de madeira, janelas com remendos de cartolina e os telhados com chapas de ferro corrugado, e os muros doidos dos jardins, descaindo em todas as direções? E as crateras de bombas onde o pó de reboco revoluteava no ar e o mato crescia à matrorca sobre os montes de escombros; e os lugares onde as bombas haviam aberto clareiras maiores e tinham nascido sórdidas colônias de choças de madeira que mais pareciam galinheiros?” (ORWELL, 1975, p. 09)

Este cenário é o de um mundo em guerra, dividido em três megablocos. A Oceania, que não deve ser confundida com o continente homônimo, mas vista como uma nova potência formada por países de todos os oceanos, corresponde às Américas, ao Sul da África, à Oceania e ao Reino Unido1; a Eurásia, formada pela Europa continental e pelos países da Ex-URSS; e a Lestásia, da união dos tigres asiáticos com a China e o Japão. Todos eles, blocos que vivem em conflitos permanentes pela dominação dos territórios correspondentes ao Oriente Médio, à África do Saara e à fronteira entre a Eurásia e a Lestásia. E como há guerra, há luta, há ódio, há escassez e há um poder sempre alicerçado em um Estado de Exceção, cujas ações sempre são inquestionáveis conquanto visam manter a segurança e a integridade do povo. Toda e qualquer atrocidade é justificada e mesmo imposta por essa tensão violenta, o que faz com que a primeira das três máximas do governo segundo a qual “Guerra é paz” encontre sua verdade: a guerra seria um dos artifícios utilizados para assegurar a permanência do regime. E é por essa razão que ela nunca acaba, é para a manutenção do poder interno que os combates externos nunca vão se exaurir.

A tessitura social que garante esse Estado totalitário de exceção permite a distinção de três classes: a dos membros do Partido que detêm o poder e usufruem das regalias que ele lhes proporciona; os membros do Partido que operam o sistema, sendo manipulados e vigiados para tanto; e os proles, o restante da população. Entregues a própria miséria, esses últimos tinham a única vantagem de não serem vigiados dia e noite e poderem se manifestar mesmo contra o governo sem serem punidos severamente, já que eram considerados inofensivos pelo Estado pela sua falta de capacidade de articulação. Aos que eram vigiados, o modelo adotado lembra o do panóptico de Foucault2, um lugar onde, pela incerteza de se estar sendo monitorado ou não, qualquer atitude indesejada era previamente desestimulada. O panóptico não permitia a existência do espaço privado, nada escapava a supervisão, ou pior, à possibilidade de supervisão: “Na cidade de Orwell em 1984, todo mundo tinha um aparelho de TV particular, mas ninguém jamais tinha permissão para desligá-lo e ninguém podia saber em que momento o aparelho era usado como câmera pelas emissoras...” (BAUMAN, 1999, p. 56).

Contudo, se as atrocidades da guerra e os meios de monitoramento formam importante pilar para o controle estatal, devemos somar a isso à utilização da mentira que mascara a história social e da manipulação que dissimula a história pessoal como os demais ingredientes responsáveis pela sustentação de 1984. Se em utopias como as de Platão, Morus ou Bacon a história se mostra sob o véu relativo da filosofia e dos bons costumes, nas distopias ela simplesmente deixa de existir:

“Dia a dia e quase minuto a minuto o passado era atualizado. Desta forma, era possível demonstrar, com prova documental, a correção de todas as profecias do Partido; jamais continuava no arquivo uma notícia, artigo ou opinião que entrasse em conflito com as necessidades do momento. Toda a história era um palimpsesto, raspado e reescrito tantas vezes quanto fosse necessário. “(ORWELL, 1975, p. 41)

A reflexão e a busca do conhecimento passam a ser manifestações tão indesejadas quanto reprimidas. É interessante então que observemos o papel dos escritores e da própria literatura nesse jogo em que o passado é apenas mais uma sombra na escuridão.

Devido a sua capacidade de registrar enquanto (re)inventam a realidade, escritores e poetas parecem sempre ter sido temidos dentro de sociedades, tanto as idealizadas quanto as fictícias. Platão expulsa os poetas da República temendo a influência de suas mentiras e fingimentos junto a população, atitude semelhante a tomada por Morus e Bacon que, adotando traços do modelo platoniano, selecionam a informação a qual devem ter acesso os habitantes de suas ilhas perfeitas. Huxley vai mais longe, destruindo livros, monumentos e quaisquer outros marcos históricos. Assim, como a repressão os teme é através da alegoria do livro da salvação, perdido e resgatado, que Huxley e Orwell representam o encontro com a consciência, o choque com a realidade. Em Admirável mundo novo o encontro com um exemplar perdido de Shakespeare representa o encontro com as tradições e os sentimentos mais humanos, enquanto em 1984, são o livro do inimigo Goldstein e o caderno em branco os responsáveis pelo contato com a história do caos e com o registro daquele que seria o último homem da Europa consciente de sua subjetividade, de sua humanidade.

Se a literatura pode ser subversiva é porque a própria língua o é. Ela não tem limites. E o governo repressor de 1984 não se descuida desse flanco. Apesar de poder sempre vigiá-las, qualquer que fosse o governo não poderia ditar através de leis a maneira, a forma e o conteúdo das conversas das pessoas, a não ser que elas não pudessem dizer o que sentem por não encontrarem palavras para tal. Surge assim a newspeak (novilíngua), cujo objetivo era reduzir o vocabulário ao extremo, diminuindo a capacidade de pensamento e tornando os cidadãos mais vulneráveis às vontades do Partido. Para tornar as experiências negativas algo tanto impensável quanto incomunicável, até a redação de uma frase em um cartão-postal é proibida, fazendo com que formas minúsculas de criação intelectual como essa fossem substituídas pelo gesto banal de assinalar uma das frases já disponível nos cartões.

Atendendo aos princípios da novilíngua os livros não deixam de existir, afinal constituem um importante meio de entretenimento, mas a atividade de escritor e, por tabela, a literatura como a concebemos, sim. A tecnologia permite a criação de máquinas de novelizar, capazes de compor sem a intervenção humana, o que é o fim da literatura enquanto leitura emancipadora. Se “Ignorância é força” para o Partido, sua recíproca é verdadeira: o contato com o livro de Goldstein e a tentativa de tomada de consciência geram apenas fraqueza. Em tempos de horror, conhecimento é sinônimo de aniquilação.

O símbolo maior dessa onipotência e onipresença do Estado em 1984, aquilo que garante a manutenção do poder, é a manipulação da imagem do Big Brother construída em oposição a de Goldstein. Ambos não se apresentam corporeamente no texto e somos até levados a crer em determinado ponto que nunca existiram, são apenas subterfúgios do Estado para garantir a identificação e a adesão das pessoas nas causas do partido, são figuras a quem as pessoas, cujas emoções são incitadas ao extremo, devem dirigir seu amor incomensurável e seu ódio mortal. O Big Brother, sempre visto nas teletelas e nos incontáveis cartazes espalhados por toda a Oceania sem jamais ter sido visto em público, é uma imagem que vasculha com seu olhos, que observa e persegue as pessoas por toda a parte. A legenda que emoldura esse olhar "O Big Brother zela por ti", revela uma ambigüidade gritante em sua ironia perversa, já que o zelar consistia em vigiar e punir, monitorar e açoitar vidas já tão miseráveis. Seu contraponto, o arquiinimigo Goldstein, não é aquele que diz coisas insanas, mas o único que parece capaz de enxergar a realidade. Ao revelar suas idéias o partido evita que seus membros cheguem as mesmas conclusões por si próprios, já sabendo de antemão que aquele repertório não passava de acusações injustas e caluniosas, proferidas por um ser indigno e animalesco. “Liberdade é escravidão” significa que trair o Partido em favor de idéias contrárias leva a apenas um lugar: a sala 101, onde a liberdade da escolha por Goldstein o afundaria em um mundo ainda mais servil.

Winston Smith é a súmula desse ciclo sob o qual o romance é concebido. Não é uma personagem forte ou fortemente descrita: é um tanto apática como apática é sua descrição e boa parte da sua atuação. Seu desespero contido, sua dor dissimulada, se dão ao luxo de apenas breves rompantes, como o instante de histeria que o põe a escrever em garranchos: “me darão um tiro que mimporta me darão um tiro na nuca não mimporta abaixo o grande irmão eles sempre dão tiro na nuca que mimporta abaixo o grande irmão” (ORWELL, 1975, p. 22). No romance em que as guerras são cíclicas, como são cíclicas as privações de consumo e mesmo as recordações, as visitas a sala 101 que massacram a personalidade e injetam via terror mais amor ao Big Brother tanto abrem quanto encerram o caos da vida distópica em 1984.

Podemos observar então que na obra de Orwell a luta das classes é a mesma do mundo real. Enquanto a casa de um membro do Partido Interno como O'Brien não sofria os apagões e privações de consumo de produtos de segunda classe como Winston, Júlia e Syme era obrigados a aceitar. Assim, a distopia de Orwell, em última instância, não é o sacrifício do indivíduo pelo bem da sociedade, mas o sacrifício da sociedade em nome de alguns indivíduos detentores do poder.

More, ao cunhar o termo utopia pensou numa sociedade inalcançavel porque perfeita. Huxley e Orwell ao esboçarem o termo distopia em sua prosa cunharam um modelo de sociedade tanto apavorante quanto próximo da humanidade, refletindo sua descrença e pessimismo quanto ao futuro do homem. Fruto do amargo vestígio das guerras e de um progresso desenfreado, as convenções sociais são levadas a extremos de pesadelo, quando os filhos passam a ser os próprios carrascos dos pais e a família, sem deixar de existir, transforma-se num difusor da repressão e do ódio:

“Quase todas as crianças eram horríveis. O pior de tudo é que, com auxílio de organizações tais como os Espiões, eram sistematicamente transformadas em pequenos selvagens incontroláveis, e no entanto nelas não se produzia qualquer tendência a se rebelar contra o Partido, e tudo quanto tinha ligação com ele. As canções, as procissões, as bandeiras, as caminhadas, a ordem unida com fuzis de madeira, berrar palavras de ordem, adorar o Grande Irmão – eram para elas uma espécie de jogo formidável. Toda a sua ferocidade era posta para fora, dirigida contra os inimigos do Estado, contra os forasteiros, traidores, sabotadores, ideocriminosos. Era quase normal que as pessoas de mais de trinta tivessem medo dos próprios filhos. E com fartos motivos, pois era rara a semana em que o Times não publicasse um tópico contando como um pequeno salafrário – “herói infantil” era a expressão usada – ouvira alguma observação comprometedora e denunciara os pais à Polícia do Pensamento.” (ORWELL, 1975, p. 27)

A divisão em mega-blocos e suas disputas acirradas, a fome e a miséria constantes, a supressão dos escritores e da literatura, a utilização de sistemas de vigilância eletrônicos e a paranóia da repressão com suas vaporizações, dão o tom a esse romance, em cuja distopia vislumbramos não um lugar onde tudo é o que deveria ser, mas onde ninguém gostaria de estar. Aviso ou sátira, distorção ou precisão, a obra de Orwell corrobora para a formação de um gênero de ficção que absorve o impacto do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, voltando-as contra o próprio homem.

Num balanço final, destacamos a importância das utopias que, tanto quanto as ideologias, cumprem um papel de representação ao nível da estrutura simbólica das sociedades3, servindo como elementos de integração e renovação social (RICOEUR, 1999). A República de Platão como o mundo regido pelas tidas mentes pensantes: são reis-filósofos que governam as pessoas de acordo com os princípios da lei, da moral e da ética vigentes em seu tempo ou em suas concepções. Morus e Bacon que acrescem à sabedoria dessas figuras o peso da doutrina evangelizadora cristã. Huxley que estabelece uma administração mundial idealizada dentro do modelo fordista de produção em massa, enquanto Orwell como o que centraliza na esfera política burocratas inescrupulosos que detêm o controle da humanidade. Apesar dessas sensíveis diferenças, percebemos que, eleitos ou impostos, todos os modelos de Estados descritos, perfeitos ou atemorizantes, necessitam do cerceamento das vontades, planos e objetivos individuais, sacrificados a fim de manter a unidade e a estabilidade de um sistema maior. Há uma superexposição da intimidade, a privacidade e as liberdades individuais são menores do que a necessidade de equilíbrio. A suposta reflexão e formação humanística que molda sujeitos dentro de uma concepção útil ao Estado, tanto quanto a ciência genética ou a tecnologia que os fabricam em série ou os controlam, alienam e uniformizam são apenas possibilidades para o encontro desse equilíbrio. Só uniformizando as pessoas, retirando o que lhes é próprio e particular é que se consegue uniformizar um regime, uma nação, o mundo. Talvez a maior diferença resida no fato de as utopias sacrificarem as pessoas para o bem do conjunto, enquanto as distopias se limitem ao sacrifício do todo pela fração que ocupa o poder. Certa é a concepção de Orwell de distopia. Uma distopia feita de sombras, de fumaça, de opressão, de pesadelo. Mas quem sabe a beleza de Capipólis, a miragem de Amaurota, a salvação de Bensalém ou o futurismo extasiante da Londres huxelyana não escondam atrás de seus dias ensolarados, da supressão da doença, dos males, dos crimes e da solidão e da tristeza, uma dose muito maior de pesadelo, de crateras calcinadas e de vazio do que se possa imaginar.

Notas:
1 - O Reino Unido recebe na obra o nome de Pista de Pouso nº1, alusão que revela implícita uma crítica à pátria que se deixou colonizar pela própria colônia.
2 - Embora Ricoeur apresente em Ideologia e Utopia uma coletânea de textos que têm como tema central a Ideologia, a Utopia é focada nos últimos três, valendo a pena conferir a maneira como articula esses conceitos de modo a reiterar a importância dessas representações para a sociedade.
3 - Foucault desenvolve a idéia do Panóptico em Vigiar e punir, onde descreve a torre em forma de estrela na qual os reclusos, devido a sua visibilidade eterna, pior do que terem a certeza de estarem sendo vigiados, nunca saberão se estão sendo monitorados naquele instante, ou não, devido à impossibilidade de ver quem poderia estar olhando para eles.


Livros citados pelo autora do artigo:

• Vigiar e Punir: História da Violência nas Prisões - MICHEL FOUCAULT
• Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
• Admirável Mundo Novo - ALDOUS HUXLEY
• BACON. Nova Atlântida. São Paulo. Abril Cultural. 1979
• BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.
• MORE, Thomas. Utopia. Trad. São Paulo: Matin Claret, 2004.
• PLATÃO. República. Trad. Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2005.
• RICOEUR, Paul. Ideologia e utopia. São Paulo: Edições 70, 1999.

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